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Dia de chuva em Curitiba, Teatro Guaíra bastante cheio e Bruno Mazzeo no palco. A proposta, entretanto, não é assistir uma peça de teatro, e sim, praticamente, um show de stand up comedy, em que há apenas o humorista e o microfone. Sexo, Drogas e Rock n’Roll é uma breve seleção de esquetes em que Mazzeo, durante o show inteiro, com uma simples camiseta preta e calça jeans básica, representa caricaturas da vida de quem trabalha no mundo artístico.

Teatro Guaíra lotado. (Créditos: Gustavo Panacioni)

Além da simplicidade proposital do figurino e elementos de cena, o espetáculo explora a inovação, mesmo que pouco, em um cenário visualmente bonito e dinâmico. Ironicamente, o cenário quase inovador só aparece quando Bruno Mazzeo não está no palco. E são nesses momentos, também, que o Rock dá as caras na apresentação, ao tocar pedaços de músicas consagradas do rock internacional enquanto Bruno sai por um lado e volta por outro trazendo uma cadeira, charuto ou garrafa de cerveja para interpretar o novo personagem.

De todas as três premissas do show (sexo, drogas e rock n’ roll) em primeiro lugar é mais fácil perceber, e aceitar, o rock. Fica mais evidente, já que a cada passagem de “cena” temos uma música que funciona como lembrança e praticamente nos diz: “Aqui está o Rock do nome que demos para o espetáculo, mas você também pode encontrar ele no perfil de algumas personagens”. Já para as drogas, temos uma discussão e ironização mais profunda, ao escutar o discurso de alguns personagens sobre o tema. Funciona sim como uma crítica ao tema, mas essa reflexão já é menos escancarada e depende da pró-atividade de cada espectador. Por fim, sobre o sexo, a dinâmica é outra. Não existe nada explícito, não existe nada fácil de entender. É, no entanto, a discussão mais difícil de perceber pois não fala sobre o sexo que está instantaneamente ligado ao rock, e sim sobre o que talvez o rock tenha deixado de herança para o sexo. Uma postura e visão masculina, não generalizando, sobre o tema.

Mesmo com esse nome, o espetáculo não é de todo óbvio. É capaz de surpreender ao abordar as questões citadas no parágrafo anterior. Porém, o que prejudica e deturpa a proposta de função social é o próprio ator. O nome e a fama que trazem quase duas mil pessoas ao Teatro Guaíra não permitem que a leitura seja mais profunda. Corre-se o risco de dizer, ainda, que o público curitibano é o público mais acolhedor e simpático do país, contra qualquer estereótipo que tenha sido criado. Ri de qualquer piada e da mais simples associação feita por Bruno Mazzeo. Talvez o show não tenha sido feito para rir, prontamente, a qualquer pausa ou frase de efeito. E talvez, se fosse um ator iniciante, sem o aporte global de Mazzeo, o espetáculo fosse uma b$#*@.

 

Serviço:

Sexo, Drogas e Rock n’ Roll

Últimas apresentações nesta segunda, dia 31/03 às 19h e 21h.

Teatro Guaíra – Aud. Bento Munhoz da Rocha

 

Gustavo Panacioni, especial para o Curitiba Cult.