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A partir das trajetórias de cinco senhoras, “Nossa Senhora [Da Luz]” mostra a fragilidade do modelo tradicional de família, pautado em padrões e moralismo. Caminhando em um único lado da rua, as personagens vão revelando decepções e frustrações. A peça é uma crítica às instituições resistentes à liberdade sexual e mira no preconceito da igreja e defensores da família tradicional contra travestis e transexuais.

Assim como os trabalhos anteriores do Coletivo Todo Deseo, de Belo Horizonte, o espetáculo desafia o público a refletir. As histórias das personagens revelam a deterioração do “pilar da família”. Do outro lado da rua, o desvio simbólico de “mão” do trânsito mostra o leque de opções que a vida oferece e as possibilidades que a ignorância e a intolerância não permitem enxergar.

De acordo com o ator David Maurity, a proposta é dialogar com o público para sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de respeito e reconhecimento dos direitos de transexuais e travestis. “A diversidade sexual é a nossa pauta. Para quem nunca teve contato com essas figuras – por falta de oportunidade ou por preconceito mesmo – a peça é uma ponte para o diálogo. Fazemos isso da maneira mais respeitosa possível, mas é teatro politico e o objetivo é sensibilizar as pessoas”, diz.

A necessidade da mudança se reflete até no nome da peça, que já foi Nossa Senhora [Do Horto] e, em Curitiba, passa a ser Nossa Senhora [Da Luz], em referência à padroeira da capital paranaense. As apresentações acontecem a céu aberto. “É na rua justamente para alcançar um maior número de pessoas. As instituições, como a igreja e a família, não permitem que as pessoas vivam da maneira que querem. E, como têm poder, influenciam a sociedade. A peça é uma crítica”, conclui.

As apresentações acontecem nos dias 01 e 02 de abril, na Praça Santos Dumont.

A programação completa do Festival de Curitiba e informações das vendas de ingressos você pode conferir aqui.

Foto: Isabella Leite