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Tell me something, girl. Are you happy in this modern world?
Or do you need more? Is there something else you’re searching for?

Ally (Lady Gaga) é uma garçonete de 30 anos frustrada por não ser reconhecida artisticamente por conta de sua aparência.  É nessa frustração que Jack (Bradley Cooper) atua, ao enxergar beleza no que Ally considerava sua condenação – seu nariz. Ao questionar Ally sobre seus anseios, ele se depara com uma mulher que tem, além de talento, algo para dizer ao mundo. E, apaixonado por sua voz, ele se propõe a torná-la a estrela que sempre sonhou ser.

Tell me something, boy. Aren’t you tired trying to fill that void?
Or do you need more? Ain’t it hard keeping it so hardcore?

Ao encontra Ally, o cantor de rock/country, que já não enxergava mais sentido em sua carreira, vê nela um motivo para abdicar do único refúgio que seus longos de estrada proporcionaram: o álcool e as drogas. Em Shallow (canção aqui citada em laranja entre os parágrafos), Ally questiona os hábitos destrutivos que Jack carrega desde sua infância. A letra da música surgiu durante uma conversa na noite em que os dois se conheceram. Seus primeiros versos trazem o desejo que os personagens nutrem de conhecer mais do outro.

I’m falling. In all the good times I find myself longing for change.
And in the bad times I fear myself.

Por conta de seus vícios, a carreira de Jack despenca com a mesma velocidade com que a de Ally desponta. E o sucesso da cantora aumenta a pressão para que ela mude de estilo – roupas, cabelo, gênero musical. Em meio ao caos, incapazes de se reconhecerem como as pessoas que eram quando se viram pela primeira vez, ambos estão dispostos a sacrificar suas carreiras em prol do relacionamento.

I’m off the deep end, watch as I dive in. I’ll never meet the ground.
Crash through the surface, where they can’t hurt us. We’re far from the shallow now.

Cientes da impossibilidade de encontrarem um amor tão forte quanto o que eles construíram, nenhum dos dois está disposto a desistir do outro. E o principal tema do filme talvez seja os sacrifícios necessários para fazer com que o relacionamento sobreviva. O drama instaura-se, então, nos desdobramentos que cada um desses sacrifícios trará à vida dos personagens.

A estória não é inédita. O longa já teve três versões anteriores: em 1937 com Janet Gaynor, em 1954 com Judy Garland e em 1976 com Barbra Streisand. A proposta do remake é relembrada sutilmente durante o filme, em uma reflexão de Jack sobre o papel criativo de um artista:

A música é essencialmente 12 notas entre qualquer oitava. 12 notas e a oitava repetem-se. É a mesma história contava repetidas vezes, eternamente. Tudo o que um artista pode dar ao mundo é a forma como ele vê essas 12 notas.”

Agora, em 2018, Gaga é a estrela de Bradley Cooper, que assina a direção do longa. É dele a perspectiva de como essas mesmas 12 notas serão apresentadas ao público. E, dessa vez, trata-se da história de amor entre duas pessoas que se completam e se empurram para frente, sem questionar ou duvidar se aquela relação ainda vale a pena. Eles mergulharam de cabeça e, como os protagonistas cantam, agora, eles estão muito longe do raso.

Nasce Uma Estrela chega aos cinemas nesta quinta-feira (11).