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Uma das características fundamentais da arte é sua capacidade de adaptação e dialogismo entre áreas. Aproveitando-se desse conceito, a Mostra TPC Ribeirão Preto traz, ao Festival de Curitiba, uma série de atividades, contando com espetáculos, palestras e rodas de conversa. O Curitiba Cult conversou com Noir Junior, curador da Mostra, e ele nos contou detalhes da iniciativa que invadiu capital.

Antes de tudo, há de se apontar que não se trata de uma novidade. “O grupo atua há 35 anos em Ribeirão Preto, e a intenção foi de trazer espetáculos diferentes uns dos outros para mostrar nosso trabalho.”, apontou Junior. O fundamento, segundo ele, está no teatro popular de comédia (TPC); a escola da iniciativa conta com mais de 300 alunos e 13 professores, difundindo várias linhas de pesquisa. Há desde influência de teatro expressionista até o experimental.

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João e o pé de feijão no Sertão

Sendo a primeira apresentação deles no Festival, Noir também ressaltou a importância da acessibilidade à cultura, um dos objetivos do grupo: “Trata-se de uma oportunidade de incentivar aqueles que talvez nunca tenham tido contato”. Um dos exemplos dados sobre a abrangência dos espetáculos, dado por ele, foi O Soldadinho e a bailarina, uma história supostamente infantil repaginada com linguagem épica. Essa marca se dá pela concepção que envolve escolas teatrais distintas. “O mais importante da linguagem teatral é tocar o espectador”. Já no espetáculo A moratória, foi adotada uma postura mais convencional de teatro. “Essa mistura é nossa marca. O diretor optou por manter a estutura clássica”. E o grupo garante: apesar de ser um texto de 1954, é um tema atual.

Apesar das dificuldades de se trabalhar com o teatro de rua, para Noir, tais iniciativas enriquecem a cidade. Também não nega a importância de leis de incentivo, mostrando, como exemplo, a qualidade da apresentação de Maria Betânia na abertura do Festival. “Foi algo que tocou todo mundo”.

A moratória

A moratória

Trabalhar com temas que abranjam a cultura nacional também faz parte do rol de objetivos do grupo; o cruzamento entre uma história clássica e uma identidade nova pôde ser conferida em João e o pé de feijão no Sertão. “O tema nordestino ressalta características do local e foi baseado em muita pesquisa”.

Devido à energia da garotada, lidar com espetáculos para o público majoritariamente infantil, por sua vez, não é tarefa das mais simples. Nesse âmbito, as pequenas coisas é que encantam, aparentemente. Em uma das apresentações, por exemplo, a resposta foi tão positiva que, mesmo com um final não tão feliz, em uma interação com mais de 500 crianças, foi perguntado se queriam alterar o final. Todas disseram não. “Foi de arrepiar”.

Deixando uma mensagem de despedida, Noir Junior espera uma expansão ainda maior de iniciativas como o Festival de Curitiba e elogia o evento. “Nós precisamos do público e o público precisa da gente. Teatro é isso. É essa conversa”.

A programação completa do Festival de Curitiba e informações das vendas de ingressos você pode conferir aqui.