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Pode parecer uma aposta arriscada de se fazer pela precocidade, mas falaremos agora sobre um dos melhores filmes no ano. E dá para dizer mais, tal obra estará nas indicações ao Oscar e será favorita nas categorias técnicas. Com essa chamada inicial jogando qualquer expectativa nas alturas, Jogador Nº1 chegou nesta quinta (19) aos cinemas.

Antes de tudo, esclarecer algo, Jogador Nº1 não é nenhuma obra-prima, porém é extremamente funcional e brilhante no que apresenta.  O longa se baseia no livro homônimo escrito por Ernest Cline, o próprio roteiriza ao lado de Zake Penn; e enfim ganhando vida nas mãos de Steven Spielberg.

Somos transportados a um futuro distópico, assolado pelo caos e pobreza, e a única fuga desta realidade está no OASIS. Nada mais que um universo onde você pode ser quem quiser e fazer o que quiser, tudo isso por meio de um videogame criado pelo gênio James Halliday (Mark Rylance). Certo dia ele vem a falecer e deixa todo o programa/herança ao melhor jogador; aquele que conseguir encontrar um easter egg dentro do jogo.

É aí que surge Wade Watts (Tye Sheridan), órfão e de vida difícil; que se mostra o favorito nesta caça ao tesouro pelo item escondido. Nessa corrida por poder, ele percebe que a realidade virtual nunca esteve tão conectada com a própria realidade como agora; cheia de perigo e descobertas.

Desde o começo da produção e o conhecimento da abordagem existente no livro, era perceptível o potencial da obra; com grandes chances de tornar-se fenômeno cultural pelo seu enredo: uma ode exatamente aos amantes da cultura pop/geek em geral. Tentando seguir o mesmo sucesso da obra literária, é fácil cravar que Jogador Nº1 concluiu sua intenção de forma esplêndida também na sétima arte.

Tudo se mostra tão funcional graças aos nomes envolvidos. Nerd de carteirinha, o escritor Cline teve durante a adaptação a companhia do expert no assunto Zak Penn, de ‘Os Vingadores’ e ‘X-Men’. E tendo alguém no nível de Spielberg na direção, experiente de sobra em blockbusters neste tipo, difícil algo dar errado.

Com uma vasta e incontável lista de referências a jogos, filmes e demais itens culturais, o filme acaba virando um belo teste aos amantes do entretenimento. Um deleite visual acompanhado de uma excelente trilha sonora oitentista, fazendo jus ao clima anos 80 impregnado em cena; impossível não despertar aquela bela nostalgia dentro de nós.

A trama em si segue o padrão de aventura, bem segmentada e previsível em vários pontos; contendo toda a jornada do herói, parceria entre amigos improváveis, ameaça iminente do mal e tudo mais. Além é claro de boa divisão, com toques de comédia e romance em meio da frenética ficção virtual.

É o tipo mais puro de entretenimento possível, daquele para apreciar sem esforço e se manter preso ao desenrolar da divertida e empolgante história. Só que vai muito além de um simples acervo de referências ou show de efeitos visuais, que beiram a perfeição no retrato milimétrico de jogos virtuais; temos aqui toda uma moral escancarada.

Jogador Nº1 convence com folga em tudo proposto a se fazer e promete agradar todo tipo de espectador, na mesma proporção que nos faz refletir. Traz consigo uma mensagem não tão ficcional assim, de uma sociedade presa as tecnologias para “fugir” do mundo em que deveria estar vivendo. Não tem como imaginar um encaminhamento melhor a Jogador Nº1, apenas fica  a vontade de se adentrar mais ainda nessa fabulosa “irrealidade”.

Trailer – Jogador Nº1