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Várias personalidades tiveram sérios problemas pessoais causados pelo excesso de exposição, entre elas podemos citar Marilyn Monroe, Michael Jackson e Amy Winehouse. A forma com que a imagem delas era veiculada mudou não só a carreira, mas a vida dessas pessoas. A Netflix aposta em mais um grande debate com o documentário Five Foot Two que mergulha na intimidade de Lady Gaga durante a gravação de seu álbum mais arriscado e a preparação do show de intervalo do Super Bowl.

O interessante do documentário é que enfoque dele não está nos polêmicos trechos em que a cantora fala sobre Madonna, seu ex-noivo e drogas, é tão pouco uma homenagem para a carreira da Mother Monster; Five Foot Two é um retrato de suas dores, de seus medos e de suas ambições. Cada cena é pensada para mostrar o ser humano por trás da figura Lady Gaga – uma mulher que é fragilizada por sua doença, mas que ao mesmo tempo é muito forte.

Gaga lembra que a última vez que foi filmada dessa forma foi em sua turnê de 2013, que claramente é um fantasma de seu passado. Foi embalada pela The Born This Way Ball que a performer fraturou seu quadril e passou por algumas cirurgias. As novas dores de Gaga já estão consolidadas nesse novo filme, quando seu diagnóstico de Lúpus e de fibromialgia já é mais grave. Somos convidados a vivenciar a realidade dessas doenças, vemos ela gritando em almofadas e dizendo sentir vergonha de si mesma por conta da dor. Assistimos todas essas crises e o quanto elas afetam a liberdade artística da cantora.

Lady Gaga chora por conta das dores por todo seu corpo.

O diretor Chris Moukarbel contou, em coletiva de imprensa, que precisou ir devagar com as gravações para poder entrar na vida de Stefani Germanotta (nome real da cantora) e mostrar o que é realmente ser ela. E nos colocamos nesse espaço muito íntimo também. Além da câmera conviver com a doença da cantora, somos surpreendidos com a profundidade criativa de seu novo álbum. Entendemos de uma forma muito bonita o conceito por trás de Joanne, álbum e música homônima.

A cantora se pergunta durante a gravação de Perfect Illusion se seus fãs antigos não ficarão bravos se ela não usar alta costura.

Os momentos tensos durante a gravação da sexta temporada da série American Horror Story, do vazamento do álbum e dos ensaios do Super Bowl nos apresenta a parte perfeccionista da artista. Mas o verdadeiro contraste está na forte ligação com sua família, com o produtor Mark Ronson, com a cantora Florence Welch e seus fãs, carinhosamente chamados de Little Monsters, e revela muito sobre sua parte afetivaSem forçar, o documentário emociona.

A direção entrega uma fotografia muito bem pensada para contar essa história de forma única, a bela montagem é repleta de imagens exclusivas que contam a transformação da dama que mede Five Foot Two (1,57m). Para quem espera sua música, verá uma Gaga comprometida e extremamente confiante em uma performance linda de “Bad Romance” em evento de seu parceiro e ícone Tony Bennett. Para quem espera sua excentricidade, verá uma Gaga que finalmente não liga para o que os outros pensam sobre ela com cenas muito espontâneas. Para quem espera conhecê-la, verá a própria Gaga permitindo também se conhecer mais, como ela repetirá, se tornando uma mulher.

Confira o trailer do documentário, disponibilizado a partir de hoje (22 de setembro) na Netflix.