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Em seu livro “Os Homens Explicam Tudo para Mim” (Editora Cultrix), a historiadora americana Rebecca Solnit aponta que apesar de parecer – ao analisarmos a forma como as coisas acontecem na sociedade – que na luta por igualdade, as mulheres travam uma luta vã, a verdade é que o mundo de hoje é um pouco melhor que o de outrora. É fato que avançamos a passos curtos e que muitas vezes também precisamos carregar à força os que insistem em nos empurrar para trás. Mas temos avançado e no cinema não é diferente.

O Movimento Time’s Up (sobre o qual escrevi com maiores detalhes aqui) representa um desses pequenos passos. Muitos outros seguirão após ele, tenho certeza. Graças à ação de mulheres que resistem bravamente à cultura patriarcal da Academia e de Hollywood, os próximos 90 anos do Oscar devem ser muito diferentes no que diz respeito às mulheres. É altamente provável que nas próximas nove décadas, muito mais do que cinco mulheres sejam indicadas na categoria de melhor direção, por exemplo. Não, você não leu errado. Greta Gerwig, diretora de Lady Bird, é apenas a quinta mulher a ser indicada como melhor diretora em todos os 90 anos da história do Oscar.

A situação não é muito diferente quando falamos do principal prêmio do Oscar. Somente 13 filmes com direção feminina já foram indicados ao prêmio de melhor filme, sendo que apenas um deles levou a estatueta. Inicialmente pensei em fazer uma lista com 5 dos filmes que concorreram ao prêmio. Porém, depois pensei que não é justo reduzir ainda mais uma lista que já é injustamente pequena. Decidi então, homenagear as 12 diretoras que em tempos de uma opressão ainda maior do que a de hoje resistiram com garra, mostrando a força de seu trabalho:

Filhos do Silêncio (1986)

Dirigido por Randa Haines, o filme é uma adaptação do teatro e mostra a história de Sarah Norman (Marlee Matlin), que trabalhando como zeladora em uma escola para surdos, deixou de falar. Ao chegar na escola, o professor James Leeds (William Hurt) passa a incentivá-la para que aprenda novamente a falar em voz alta. O filme rendeu o prêmio de melhor atriz para Matlin no Oscar de 1987, mas quem levou melhor filme foi Platoon, de Oliver Stone.

Tempo de Despertar (1990)

O filme da diretora Penny Marshal concorreu ao Oscar 1991 e é baseado na vida de Malcolm Sayer (Robin Williams), neurologista que decide tratar pacientes que estão em estado catatônico há anos com uma droga utilizada no tratamento do Mal de Parkinson. O primeiro paciente a receber o novo tratamento é Leonard Lowe (Robert De Niro), que “acorda” cheio de vontade de recuperar o tempo perdido. Apesar de ter tido três indicações, o longa não levou nenhum prêmio. Dança Com Lobos, de Kevin Costner ganhou o prêmio principal nesse ano.

O Príncipe das Marés (1991)

Barbra Streisand dirigiu e atuou no filme que conta a história de Tom Wingo (Nick Nolte), um homem que desenvolve uma relação com a psiquiatra de sua irmã, que cometeu suicídio. O longa teve sete indicações no Oscar 1992, mas perdeu o prêmio de melhor filme para O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme.

O piano (1993)

Dirigido por Jane Campion, retrata a trajetória de Ada McGrath (Holly Hunter), uma mulher que não fala desde os seis anos de idade e se muda para a Nova Zelândia recém-colonizada. Em companhia da filha, ela conhece seu futuro marido, com o qual não simpatiza. Para piorar a situação, o noivo, Alisdair Stewart (Sam Neill), recusa-se a transportar o piano de Ada, que é sua maior paixão. Disputou sete prêmios no Oscar 1994 (incluindo melhor direção). Ganhou como melhor atriz (Hunter), melhor atriz coadjuvante (Anna Paquin) e roteiro original (Campion). Nesse ano, A Lista de Schindler, de Steven Spielberg, ganhou como melhor filme.

Encontros e Desencontros (2003)

Sofia Coppola dirige essa comédia dramática que se passa no Japão. Bob harris (Bill Murray), que está em Tóquio para gravar um comercial, conhece Charlotte (scarlett Johansson), a esposa de um homem workaholic. Compartilhando a insônia e os desprazeres da vida, os dois se tornam grandes amigos. Sofia Coppola ganhou o Oscar de melhor roteiro original e também foi indicada como melhor diretora. Além dessas, o longa também foi indicado em melhor ator (Bill Murray) e melhor filme, que no Oscar 2004 foi para O senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, de Peter Jackson.

Pequena Miss Sunshine (2006)

No divertido filme de Valerie Faris e Jonathan Dayton, acompanhamos uma família problemática que viaja pelos EUA para levar a filha mais nova Olive (Abigail Breslin) para a final de um concurso de beleza. Apesar de não ter levado como melhor filme (que no Oscar 2007 foi para “Os infiltrados”, de Martin Scorsese), ganhou nas categorias de roteiro original e ator coadjuvante (Alan Arkin). Além dessas indicações, concorreu ainda a melhor atriz coadjuvante (Abigail Breslin).

Guerra ao Terror (2008)

Dirigido por Kathryn Bigelow, é o único filme com direção feminina que já ganhou o Oscar de melhor filme, assim como o de direção. O filme mostra a realidade de soldados americanos que atuam desarmando bombas no Iraque. Além de melhor filme e melhor direção, disputou, no Oscar 2010, outros sete prêmios, dos quais ganhou quatro.

Educação (2009)

Concorrendo também no Oscar 2010, o filme de Lone Scherfig mostra a história de Jenny Carey (Carey Mulligan), que aos 16 anos, em 1961, se vê no dilema de escolher estudar e realizar o sonho de ir para Oxford ou investir no glamour da vida ao lado de David (Peter Sarsgaard) com quem acaba se envolvendo. Além da indicação para melhor filme, o longa concorreu a outros dois prêmios.

Minhas Mães e Meu Pai (2009)

No ano em que “O Discurso do Rei” ganhou o Oscar de melhor filme (2011), Lisa Cholodenko contou a história de uma família formada por duas mães (Julianne Moore e Annette Bening) e dois filhos concebidos por inseminação artificial de um doador anônimo. Porém, quando Joni (Mia Wasikowaska) completa a maioridade, seu irmão Laser (Josh Hutcherson) a convence a encontrar o pai biológico (Mark Ruffalo), que passa a fazer parte do cotidiano da família. No total, o filme concorreu em quatro categorias.

Inverno da Alma (2010)

Nesse filme de Debra Granik, Jennifer Lawrence recebeu a primeira indicação da carreira. Ela interpreta Ree, uma adolescente que cuida da mãe e dos irmãos e precisa procurar o pai traficante para não perder a casa da família. Além de melhor filme e melhor atriz, o filme concorreu a outras duas categorias. O ganhador do prêmio de melhor filme no Oscar 2011 foi “O Discurso do Rei”.

A Hora Mais Escura (2012)

Mais um filme de Kathryn Bigelow a falar sobre a guerra ao terrorismo, esse longa teve cinco indicações no Oscar 2013, ganhando o de melhor edição de som. A história mostra o papel de uma agente da CIA na caçada que culminou na morte de Osama Bin Laden. O filme vencedor foi “Argo”, de Bem Affleck.

Selma – Uma Luta Pela Igualdade (2014)

O drama cinebiográfico de Ava DuVernay acompanha a luta de Martin Luther King (David Oyelowo) durante as históricas marchas realizadas por ele e manifestantes pacifistas em 1965, entre as cidades de Selma e Montgomery, buscando direitos eleitorais para a comunidade negra. Além da categoria de melhor filme, vencida por Birdman, de Alejandro G. Iñárritu, foi indicado na categoria melhor canção original no Oscar 2015, levando o prêmio para casa.

Lady Bird – A Hora de Voar (2017)

Além do prêmio principal, com esse filme, que mostra um ano da vida de uma adolescente de Sacramento, Greta Gerwig concorre ao Oscar 2018 nas categorias de melhor direção e melhor roteiro adaptado. O filme tem ainda indicações para melhor atriz (Saoirse Ronan) e melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf).

O Oscar 2018 está chegando e nem precisamos dizer que nosso coração torce muito para que o trabalho incrível da Greta seja valorizado. Mulheres mostrando que sabem fazer cinema: gostamos. Go girl!

Assista o Oscar com a gente!

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Esse texto faz parte da Cobertura do Oscar 2018 do Curitiba Cult e Pós-créditos. Você pode conferir mais conteúdo como esse aqui e aqui!