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Entre os debates mais constantes a respeito dos gêneros cinematográficos, podemos ter certeza que a validez do terror estará ali. Contestado por muitos e amado por milhares, é provavelmente a vertente mais menosprezada da sétima arte. Com a aproximação do Oscar 2018, momento em que, supostamente, conheceremos as melhores produções do ano, surge uma dúvida: onde os exemplares do horror ficam no meio disto tudo?

Talvez a pergunta seja muito mais abrangente. Sim, há uma extensa gama de obras “esquecidas” pela Academia. É o caso das comédias, aventuras/ação, blockbusters e muito mais. Todos perdem na corrida contra o todo poderoso e queridinho drama. Só que hoje, o foco não é esse e sim a funcionalidade do terror em meio das premiações. E pode-se dizer que tal questão só é debatida atualmente, pois nas antigas alguns clássicos permearam nas indicações ao Oscar. 

Nesse ano, os amantes do terror puderam enfim comemorar com as indicações de Corra!, que concorre na categoria máxima de Melhor Filme, além de Melhor Diretor (Jordan Peele), Melhor Ator (Daniel Kaluuya) e Melhor Roteiro Original; categoria em que é grande favorito.

A trama, que envolve um rapaz negro indo conhecer a família caucasiana da namorada, sem saber que eles escondem um sombrio e perturbador segredo, ainda tem chances de ser agraciada com o principal prêmio da noite. Não só uma vitória do gênero, mas também aos questionamentos raciais que a produção se propõe a fazer.

Vamos voltar no tempo, para uma época onde o Oscar não se mostrava tão fissurado em dramas, como aconteceu nos últimos anos, e aceitava ter títulos variados entre os indicados. A primeira aparição foi lá em 1932, quando Fredric March levou como Melhor Ator por seu papel duplo de Dr. Jekyll e Mr. Hyde em O Médico e o Monstro.

Então os clássicos começaram a entrar em ação. Primeiramente com Psicose de Hitchcock em 1961, indicado como Melhor Diretor, além de Direção de Arte, Fotografia e Atriz Coadjuvante (Janet Leigh). A vitória veio oito anos depois em O Bebê de Rosemary e Ruth Gordon levando Melhor Atriz Coadjuvante, Roman Polanski ficou na indicação de Roteiro Adaptado.

Em 1974 a história seria feita com um dos maiores de todos os tempos: O Exorcista. A obra da garotinha possuída foi indicada a 10 estatuetas. Incluindo de Melhor Filme, e acabou saindo com duas: Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Mixagem de Som.

Já em 1975 e 1976 grandes nomes apareceram, primeiramente com Tubarão e suas três vitórias em Melhor Mixagem de Som, Edição e Trilha Sonora (uma das mais marcantes até hoje); além da indicação a Melhor Filme. No ano seguinte, A Profecia apareceu nas categorias de som com vitória em Trilha Sonora e derrota em Melhor Canção.

Alien: O 8º Passageiro revolucionou com a temática monstruosa espacial e conquistou indicações de Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais, conquistou o segundo. A estatueta de Melhor Maquiagem foi designada merecidamente para Um Lobisomem Americano em Londres e A Mosca nos anos de 1981 e 1986, respectivamente.

No ano de 1987 uma sequência de respeito deu as caras: Aliens, O Resgaste e suas sete indicações. Levou Efeitos Especiais e Edição de Som, mas concorreu para Atriz, Direção de Arte, Efeitos Sonoros, Montagem e Trilha Sonora.

Mas nada abalou tanto as estruturas da Academia quanto o que viria pela frente em 1991. Uma obra-prima chamada O Silêncio dos Inocentes, dono de recorde e absoluta dominância nas categorias principais. A história do serial-killer canibal, Hannibal, foi indicada a sete estatuetas, conseguiu Melhor Filme, Diretor (Jonathan Demme), Roteiro Adaptado (Ted Tally), Ator (Anthony Hopkins) e Atriz (Jodie Foster); deixou passar Efeitos Sonoros e Montagem.

A adaptação do clássico Drácula de Bram Stoker foi agraciada em 1992 com Melhor Maquiagem, Efeitos Visuais e Figurino; perdeu em Melhor Design de Produção. Em 2000, seis indicações para O Sexto Sentido, incluindo Melhor Filme, Diretor e Roteiro Original; porém saiu de mãos abanando

Há 18 anos, tínhamos o último representante do terror sendo indicado; contagem que se reinicia agora com Corra!. Difícil criar uma teoria sobre a razão de tamanha ausência, mas muito é representado pelo próprio gosto popular. Não encontramos mais terrores de qualidade. Roteiros horríveis e montagens ainda piores viraram marca registrada dos exemplares atuais. A situação não está fácil, mas já vemos uma luz no fim do túnel com títulos independentes investindo em tramas originais e uma pegada mais psicológica.

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