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Quem não ama cheirinho de livro novo? Pois é, seja num fim de semana tedioso, na sala de espera do dentista, numa longa viagem de ônibus ou à noite, antes de dormir, sob a luz do abajur, os livros são um dos nossos melhores – e indispensáveis – companheiros. Ler, independentemente da razão (acadêmica, profissional ou por simples prazer), é a forma mais gostosa de exercitar nossos cérebros no dia a dia.

São tantos autores que marcam a nossa vida (de J.K. Rowling a Dostoiévski, de Maurício de Souza ao autor daquele livro que te fez entender melhor a disciplina da faculdade) que é mais do que justo que eles sejam homenageados, todos os anos, no dia 25 de julho. Então, para que você celebre o Dia Nacional do Escritor, nesta quarta-feira, da melhor maneira – com um livro em mãos – o Curitiba Cult separou cinco escritores conterrâneos, aqui da capital paranaense, para você conhecer (ou reler). Boa leitura!

Paulo Leminski

Curitiba não tem mar, mas tem bar. E um dos grandes boêmios da cidade é um nome indispensável a esta lista. Paulo Leminski foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor e uma das figuras mais proeminentes da nossa cidade. Ficou conhecido, também, por suas riquíssimas composições musicais. Faleceu em 1989, mas suas obras nunca pararam de repercutir.

Razão de ser

Escrevo. E pronto.

Escrevo porque preciso,

Preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece,

E as estrelas lá no céu

Lembram letras no papel,

Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.

O peixe beija e morde o que vê.

Eu escrevo apenas.

Tem que ter por quê?

Dalton Trevisan

Mais do que uma das maiores (e mais difíceis de se avistar) “figuras mitológicas” da cidade, o Vampiro de Curitiba é extremamente reconhecido por suas obras literárias, em especial, seus livros de contos. Com mais de 90 anos de vida, Dalton Trevisan já recebeu da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra, o Prêmio Machado de Assis, além de ter sido eleito por unanimidade o vencedor do Prêmio Camões. Alguns de seus títulos são “Morte na Praça”, “O Vampiro de Curitiba”, “Meu Querido Assassino”, “Pão e Sangue” e “Em Busca de Curitiba Perdida”.

Alice Ruiz

A poeta, letrista e tradutora Alice Ruiz tem, hoje, 72 anos. Aos 63, em 2009, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura pelo livro “Dois em Um”, publicado no ano anterior. Dentre suas obras, pode-se citar “Vice Versos”, “Haikais”, “Poesia pra Tocar no Rádio”, “Conversa de Passarinho” e “Luminares”.

Do livro “Dois em um”

Tem os que passam

e tudo se passa

com passos já passados

tem os que partem

da pedra ao vidro

deixam tudo partido

e tem, ainda bem,

os que deixam

a vaga impressão

de ter ficado

Luís Henrique Pellanda

O cronista, contista e músico de 45 anos Luís Henrique Pellanda é formado em jornalismo e já trabalhou em jornais como Gazeta do Povo e Primeira Hora. Foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura em 2012 com o livro “Nós Passaremos em Branco” e se classificou em segundo lugar no Prêmio Clarice Lispector, em 2010, com seu primeiro livro, chamado “O Macaco Ornamental”. Alguns de seus outros títulos são “Asas de Sereia”, “Detetive à Deriva” e “As Melhores Entrevistas do Rascunho”.

Tasso da Silveira

Formado em Ciências Jurídicas e Sociais, o escritor Tasso da Silveira foi um dos fundadores da revista “Fanal”, veículo que fazia parte do movimento de vanguarda literária que aconteceu no Paraná no início dos anos 1900. Sua estreia como poeta aconteceu em 1918, com a obra “Fio d’Água”. Tasso também exerceu o ofício de professor de literatura portuguesa numa universidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 1968.

19 (Em todos os perdidos portos do mundo, sob o crepúsculo)

Em todos os perdidos portos do mundo, sob o crepúsculo

balouçam barcos mansamente.

A brisa é uma carícia lenta

nos mastros e nas velas.

A voz da água é um segredo baixinho.

É preciso não acordar os homens.

É preciso que se encha o mundo de doçura infinita,

de infinito silêncio,

porque os homens estão fatigados, fatigados…